FINANÇAS SUSTENTÁVEIS

Maior acesso aos recursos dos fundos verdes e transição para a geração de emprego e renda, são os planos do Brasil na agenda de Finanças Sustentáveis no G20

GT sobre Finanças Sustentáveis quer ampliar o acesso de países do Sul Global a 25 bilhões de dólares existentes em fundos verdes, impulsionar uma transição sustentável voltada para a criação de empregos e renda e elaborar padrões para que empresas forneçam informações relacionadas à sustentabilidade junto com seus dados financeiros. Prioridades foram bem recebidas pelos países-membros do G20.

07/02/2024 13:58 - Modificado há 4 meses
Ivan Oliveira, coordenador do GT e subsecretário de financiamento ao desenvolvimento sustentável do Ministério da Fazenda e Cyntia Azevedo, chefe-adjunta do Departamento de Assuntos Internacionais do Banco Central (BCB) | Foto: Audiovisual Secom
Ivan Oliveira, coordenador do GT e subsecretário de financiamento ao desenvolvimento sustentável do Ministério da Fazenda e Cyntia Azevedo, chefe-adjunta do Departamento de Assuntos Internacionais do Banco Central (BCB) | Foto: Audiovisual Secom

Impulsionar que os países do G20 atuem para desbloquear US$25 bilhões de fundos verdes, promover uma transição focada na geração de emprego e renda e o financiamento de soluções sustentáveis são algumas das prioridades do grupo de trabalho Finanças Sustentáveis, que se reuniu por videoconferência, em Brasília, nos dias 05 e 06 de fevereiro. O GT também planeja discutir a construção de padrões para que pequenas, médias e grandes empresas possam incluir dados sobre sustentabilidade nos seus balanços financeiros. 

Com relação à facilitação do acesso de países do Sul Global aos quatro principais mecanismos de financiamento sustentáveis: Fundo Verde para o Clima (Green Climate Fund); Fundo de Investimento Climático (Climate Investment Funds); Fundo de Adaptação (Adaptation Fund) e o Fundo Global para o Meio Ambiente (Global Environment Facility), Ivan Oliveira, coordenador do GT e subsecretário de financiamento ao desenvolvimento sustentável do Ministério da Fazenda do Brasil, explicou que a proposta está conectada com a política de solidariedade a essas nações e é uma questão crítica que foi “amplamente bem recebida pelo grupo”.

“A gente espera ter no final do ano da presidência brasileira um grande empurrão do G20 para que esses fundos facilitem o acesso dos países e das economias em desenvolvimento. São 25 bilhões de dólares que precisam chegar e gerar impacto tanto em países como o nosso, de renda média, como nas pequenas ilhas, num país africano ou asiático”, salientou Oliveira. 

“A gente espera ter no final do ano da presidência brasileira um grande empurrão do G20 para que esses fundos facilitem o acesso dos países e das economias em desenvolvimento. São 25 bilhões de dólares que precisam chegar e gerar impacto tanto em países como o nosso, de renda média, como nas pequenas ilhas, num país africano ou asiático”, salientou Oliveira.

Oliveira detalhou também a proposta de criar, a partir do fórum, princípios de alto nível para planos de transição, buscando zerar as emissões de gases do efeito estufa nos países, de forma justa, conectada com o desenvolvimento social e com os impactos desses processos na vida das pessoas. Junto com os Estados Unidos e a China, que atuam como co-chairs do GT, o grupo decidiu realizar uma avaliação dos setores de cimento e aço para avaliar possíveis efeitos da agenda verde em termos de emprego e aspectos como a redução das desigualdades. 

“Começamos a elencar uma série de setores que seriam interessantes para a avaliação. Até que decidimos, Brasil, China e Estados Unidos, que os setores de base, cimento e aço, talvez fossem interessantes para iniciar um processo de análise, o que não nos impede de eventualmente seguir adiante, inclusive nas próximas presidências, com novos estudos em outros setores”, pontuou o representante do Ministério da Fazenda.

Ampliação de capacidades 

Já nos debates relacionados às soluções baseadas em natureza, que envolvem temas como preservação, conservação, bioeconomia, bioenergia e uma série de aspectos críticos para a agenda de desenvolvimento sustentável e finanças, o grupo vai avaliar 12 casos de sucesso que usaram instrumentos financeiros diversos, especialmente recursos públicos e privados, para gerar impacto em economias emergentes e países em desenvolvimento. O GT também quer dar prosseguimento com o Technical Assistance Action Plan, elaborado durante a presidência indiana, voltado para fortalecer as capacidades dos países no acesso aos fundos. 

“A ideia é fazer com que os instrumentos financeiros fiquem mais claros. Uma das dificuldades desses países acessarem recursos dos fundos é capacidade de gerar bons projetos e programas. A prioridade é criar um pacote de bons instrumentos que possam cobrir parte dessa agenda e que eventualmente possam ser replicados num contexto semelhante”, indicou Oliveira. 

Sustentabilidade e competitividade 

No grupo, o Banco Central acompanha as prioridades do GT, mas com foco nos debates sobre os desafios e benefícios da implementação dos relatórios de informações relacionadas ao clima para instituições financeiras e empresas de pequeno, médio e grande porte. De acordo com Cyntia Azevedo, chefe-adjunta do Departamento de Assuntos Internacionais do Banco Central (BCB), as discussões são em torno da elaboração de padrões para que essas organizações possam fornecer dados relacionados à sustentabilidade junto com seus balanços financeiros, tendo como referência o “espírito de proporcionalidade”. 

“São muitos desafios para fazer com que essas empresas consigam também reportar essas informações com qualidade, sabendo que isso faz com que elas se tornem competitivas. O mercado quer investir em empresas que são responsáveis em termos sociais, ambientais. Esse é o tipo de informação importante para que elas estejam posicionadas”, ressaltou. 

“São muitos desafios para fazer com que essas empresas consigam também reportar essas informações com qualidade, sabendo que isso faz com que elas se tornem competitivas. O mercado quer investir em empresas que são responsáveis em termos sociais, ambientais. Esse é o tipo de informação importante para que elas estejam posicionadas.”

O GT faz parte da Trilha de Finanças do fórum e tem como missão propor soluções para superar os desafios institucionais e de mercado, mobilizar finanças sustentáveis para garantir o crescimento e a estabilidade globais, promovendo os processos de transição para economias mais verdes, resilientes e inclusivas, atento aos objetivos da Agenda 2030 das Nações Unidas e o Acordo de Paris.