GT REDUÇÃO DE RISCO DE DESASTRES

GT de Redução de Risco de Desastres: combate às desigualdades é prioridade número 1

Grupo de Trabalho apresentou balanço da primeira reunião sob a presidência brasileira, realizada por videoconferência nesta quarta-feira (28), na sede do G20 em Brasília. Combater as desigualdades socioeconômicas entre os países é prioridade número um no enfrentamento ao risco de desastres.

28/02/2024 18:31 - Modificado há 2 meses
Coordenador e vice-coordenador divulgam balanço da 1ª reunião do GT  Redução de Risco de Desastres. | Foto: Audiovisual/G20 Brasil

O mundo passa por mudanças climáticas e enfrenta catástrofes ambientais decorrentes dessas alterações, afetando as populações mais pobres, o que torna a questão da prevenção e enfrentamento aos desastres naturais um assunto relevante a ser debatido por todas as nações. 

O tema foi tratado, nesta quarta-feira (28), na sede do G20 em Brasília pelo Grupo de Trabalho de Redução de Risco de Desastres do G20. O coordenador do grupo e Secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, Wolnei Wolff Barreiros, e o vice-coordenador e Secretário das Periferias do Ministério das Cidades, Guilherme Simões, apresentaram o balanço da primeira reunião, realizada por videoconferência. Segundo o coordenador Wolnei Wolff, foram debatidas as prioridades do grupo que são: a cobertura global de sistemas de alerta precoce, a infraestrutura resiliente a desastre e as mudanças climáticas, estratégias de financiamento para redução do risco de desastres, a reconstrução em caso de desastres, soluções baseadas na natureza e a abordagem baseada em ecossistema.

Wolnei Wolff ressaltou que a prioridade número um é combater as desigualdades. Em  sua visão, é praticamente impossível reduzir os desastres num nível aceitável sem trabalhar a questão, seja no Brasil ou no mundo. “Estudos e mapeamentos de organismos e órgãos brasileiros contam que 10 milhões de pessoas moram em áreas de risco no Brasil. Isso quer dizer que, em determinado período chuvoso, a gente vai ter perdas de vidas humanas, além de perdas materiais, e precisamos entender que ninguém escolhe ir morar na área de risco”, afirmou o coordenador. Wolnei lembrou ainda períodos de grandes enchentes no país e a situação atual no Acre, onde 17 dos 22 municípios do estado estão em situação de emergência devido a inundações por conta da elevação dos níveis dos rios e igarapés.

Para Guilherme Simões, ficou claro para todos os membros da reunião a impossibilidade de enfrentar a emergência climática no mundo sem enfrentar as desigualdades socioeconômicas e suas causas. Portanto, a prioridade número um, sugerida pelo Brasil, recebeu uma calorosa acolhida dos demais países do G20, nas palavras do vice-coordenador. Ele acrescentou que, no caso brasileiro, com a retomada do Ministério das Cidades, o órgão tem “para os próximos anos um orçamento bastante razoável para a prevenção de desastres. Está garantido, só esse ano, cerca de 2 bilhões para contenção de encostas e outros 6 bilhões para drenagem. Sem dúvida alguma, nós temos a volta da priorização dessa política”.

Mudanças climáticas e seus eventos adversos são sentidos em todo o mundo e o GT de Redução de Riscos e Desastres é um espaço para que países compartilhem recursos, expertise e tecnologias para fortalecer a capacidade de resposta a esses eventos. Todas as prioridades debatidas e apresentadas estão alinhadas ao Marco Sendai, adotado durante a Terceira Conferência Mundial sobre Redução do Risco de Desastres em 2015. A Conferência estabeleceu metas e diretrizes globais para a redução de riscos de desastres. As prioridades também estão em consonância com a Conferência do Clima de Paris.

Banco de boas práticas

Ao final das reuniões do grupo, a intenção é montar um banco de dados com boas práticas reconhecidas ao redor do mundo e possibilitar o compartilhamento de soluções bem-sucedidas no enfrentamento de desastres entre os países do G20.

“A questão mais importante, objetiva que eu vejo do G20, do nosso grupo em especial, é ser um fórum que a gente possa conhecer a experiência de outros países, trocar experiências, entender as boas práticas e com isso a gente possa aplicar aqui no Brasil, mas também em outros países que precisam reduzir o risco de desastres”, complementou Wolnei Wolff.