WOMEN 20

Grupo de Engajamento Women 20 debate gênero e empreendedorismo

As mulheres são mais da metade da população mundial e, mesmo assim, respondem por menos de 37% do PIB mundial. A relação entre gênero e empreendedorismo foi debatida durante o 1º Diálogo Nacional do Grupo de Engajamento Women 20 nesta segunda-feira (25), no Rio de Janeiro.

26/03/2024 07:00 - Modificado há 17 dias
1º Diálogo Nacional do Grupo de Engajamento Women 20 debate experiências e soluções para mulheres empreendedoras. Crédito: Freepik
1º Diálogo Nacional do Grupo de Engajamento Women 20 debate experiências e soluções para mulheres empreendedoras. Crédito: Freepik

As mulheres são mais da metade da população mundial e, mesmo assim, respondem por menos de 37% do PIB mundial. Além de barreiras culturais, conseguir crédito junto aos bancos é mais difícil para as mulheres, em comparação aos seus colegas homens. A relação entre gênero e empreendedorismo foi debatida durante o 1º Diálogo Nacional do Grupo de Engajamento Women 20 nesta segunda-feira (25), no Rio de Janeiro.

“O empreendedorismo feminino é uma das chaves mais poderosas para desbloquear o potencial econômico das mulheres, fortalecendo comunidades e impulsionando o crescimento global, e precisa de políticas públicas que o promovam, incluindo lentes de raça e etnia em sua concepção e implementação”, afirmou Maria Rita Spina, líder do Grupo de Trabalho Empreendedorismo do W20.

A história de Sabine Zink, co-fundadora e CEO da SAS Brasil, é um exemplo de como o desejo de uma mulher pode impactar comunidades inteiras. Ela dirige uma startup social que leva atendimento médico para cidades carentes. A SAS começou com a ajuda de voluntários e, mais de dez anos depois, hoje é um negócio sustentável. 

Segundo Sabine, durante a pandemia, a instituição cresceu muito trabalhando com inovação, tecnologia e telessaúde, ao ponto de chamar a atenção de empresas privadas do setor de medicina. O que despertou o olhar da empreendedora e sua equipe para estudar organizações que eventualmente se tornam sócias de empresas. “Foi aí que pensamos: por que estamos sofrendo para buscar patrocínio e doações? Se a gente tem um modelo de negócios que pode gerar impacto social e receita ao mesmo tempo? Então, desde 2021, temos estruturado um sistema sem fins lucrativos aliado a um de negócios, que por sua vez traz receita para investir no social”, explicou.

“O empreendedorismo feminino é uma das chaves mais poderosas para desbloquear o potencial econômico das mulheres, fortalecendo comunidades e impulsionando o crescimento global, e precisa de políticas públicas que o promovam, incluindo lentes de raça e etnia em sua concepção e implementação”, afirmou Maria Rita Spina, líder do Grupo de Trabalho Empreendedorismo do W20.

Blended finance – o financiamento misto

Maria Rita Spina concorda que utilizar diferentes fontes de financiamento é o ideal para negócios chefiados por mulheres. Ela argumenta que o mercado financeiro trabalha com duas variáveis de risco retorno: o real e o percebido. Embora o risco real das mulheres seja menor, a percepção de risco é muito grande quando se trata de negócios liderados por mulheres. O que dificulta o acesso ao crédito para iniciar um empreendimento.

O que fazer para mudar o cenário atual? Filósofa de formação, Maria Rita acredita que perguntas são o começo de tudo e defende que o blended finance pode ser uma resposta. Porque é uma forma de investimento que une recursos públicos, de fomento ou filantrópicos, ao capital privado com objetivo de financiar projetos de impacto social, ambiental ou de desenvolvimento econômico.

Uma das propostas do GT é que para promover o empoderamento econômico de mulheres de diferentes origens étnicas e raciais, é essencial a criação de políticas públicas que possam implementar estruturas financeiras inovadoras. Estas devem facilitar o acesso ao financiamento por meio de leis e políticas. E, assim, encorajar bancos, organizações públicas, privadas e multilaterais a estabelecer sistemas de garantias alternativos para permitir uma maior participação feminina.

Sobre o W20

O Women 20 vai promover ao todo cinco diálogos, um em cada região do país, abordando os temas prioritários de 2024: empreendedorismo, combate à violência contra as mulheres, economia do cuidado, justiça climática e mulheres em STEM (sigla em inglês para “Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática”).

O W20 é um dos grupos de engajamento independentes do G20 Social focado em promover a equidade de gênero e o empoderamento econômico das mulheres. Assim como todos os outros grupos de engajamento, tem como missão principal influenciar positivamente políticas e compromissos das lideranças dos países do G20.

Trazer a participação de atores não-governamentais nas atividades e nos processos decisórios do G20 é o papel do G20 Social. Entre os dias 15 e 17 de novembro, às vésperas da Cúpula de Líderes, deve acontecer a Cúpula Social para apresentar os trabalhos desenvolvidos ao longo de quase um ano pela sociedade. A intenção é apontar novos caminhos para a construção de políticas que reflitam valores como justiça social, econômica e ambiental e a luta pela redução de todo tipo de desigualdade.

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