MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Catástrofe climática no Sul do Brasil reforça urgência de debater mudanças do clima no mundo

Governo brasileiro responde tragédia climática com ações emergenciais e investimentos significativos para mitigar danos e auxiliar população atingida. Mais de 62 bilhões de reais (cerca de 12 bilhões de dólares) foram liberados nesta fase inicial de socorro. Desde que assumiu a presidência do G20, no ano passado, o Brasil apontou aos demais países do grupo que iria priorizar a agenda climática nas reuniões do fórum de cooperação internacional.

14/05/2024 18:12 - Modificado há 14 dias
Equipes militares que integram a Operação Taquari II intensificam ações no RS | Foto: Ascom Ministério da Defesa
Equipes militares que integram a Operação Taquari II intensificam ações no RS | Foto: Ascom Ministério da Defesa

As recentes inundações no estado do Rio Grande do Sul, no sul do Brasil, estão intrinsecamente ligadas à crise climática global em curso. Climatologistas destacam que esses eventos catastróficos não são isolados, mas sim parte de uma série de fenômenos extremos que têm assolado diversas regiões do mundo nos últimos anos. Conforme os especialistas, não se trata apenas de chuvas intensas, mas também de secas extremas que têm sido observadas globalmente, evidenciando a amplitude e a frequência desses eventos climáticos. 

A análise do ClimaMeter sobre as chuvas no Rio Grande do Sul entre 30 de abril e 2 de maio de 2024, já publicada pelo site G20 Brasil, revelou a extensão dos danos causados por fortes precipitações. Uma área de baixa pressão se desenvolveu na América do Sul, desencadeando chuvas intensas que resultaram em inundações, deslizamentos de terra e perda de vidas humanas, superando marcos históricos anteriores como a grande enchente de 1941 no mesmo estado brasileiro. O estudo do ClimaMeter também alerta que a intensidade das chuvas no presente resulta diretamente da influência humana, considerada a principal causa.

Iniciativas emergenciais em socorro ao RS

O Rio Grande do Sul enfrenta uma das piores crises causadas pelas enchentes, e o governo brasileiro tem respondido com uma série de ações emergenciais e investimentos significativos para mitigar os danos e auxiliar a população atingida. Desde a edição da Medida Provisória 1218/24, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva autorizou a liberação de 12,1 bilhões de reais em créditos extraordinários para o estado, totalizando mais de 62 bilhões de reais (cerca de 12 bilhões de dólares) em recursos liberados nesta fase inicial de socorro. Através da mobilização de recursos financeiros, logísticos e humanos, o governo está buscando garantir a segurança e o bem-estar das pessoas atingidas pelos desastres naturais, além de contribuir para a reconstrução e recuperação das áreas inundadas.

O coronel do Exército brasileiro, Fabiano Simon, chefe da Comunicação Social da Operação Taquari II, avalia que as Forças Armadas têm desempenhado um papel fundamental nas áreas atingidas. Composta por tropas do Exército, Marinha e Aeronáutica, sob o comando do Ministério da Defesa do governo brasileiro, esta missão é responsável pelo trabalho de engenharia, incluindo resgates de pessoas e animais, além da assistência em purificação de água e assessoria técnica em infra estruturas como barragens e diques. 

O suporte conta com 25 mil militares, policiais e agentes de segurança, 320 embarcações e 5 navios, 70 aeronaves, 4,5 mil viaturas, 90 equipamentos de engenharia, 7 hospitais de campanha em funcionamento e ações como resgates, transporte de medicamentos e suprimentos vitais, como cilindros de oxigênio para hospitais.

O suporte conta com 25 mil militares, policiais e agentes de segurança, 320 embarcações e 5 navios, 70 aeronaves, 4,5 mil viaturas, 90 equipamentos de engenharia, 7 hospitais de campanha em funcionamento e ações como resgates, transporte de medicamentos e suprimentos vitais, como cilindros de oxigênio para hospitais.

“A movimentação logística de equipamentos e pessoal tem sido incessante, com mais de 17 mil ações de tropas de combate e transportes terrestres em apoio à defesa civil. Isso inclui resgates de desabrigados e a entrega de suprimentos essenciais para as operações de salvamento e resgate, demonstrando um compromisso inabalável com as demandas emergenciais”, informa o coronel Simon.

As ações de saúde também receberam atenção prioritária com a instalação e operação de hospitais de campanha. Mais de 3 mil atendimentos já foram realizados, com destaque para o hospital do NAM Atlântico da Marinha (Navio-Aeródromo Multipropósito), que atracou no porto da cidade de Rio Grande 

Neste momento, a operação está transitando para a fase de estabilização, focada no restabelecimento dos serviços básicos à população. Isso inclui reparos emergenciais em infraestrutura, entrega de donativos e apoio logístico para garantir o abastecimento de áreas afetadas.  

Situação atual e esforços conjuntos no Sul do Brasil

Com 2,1 milhões de pessoas atingidas em 450 municípios (total de municípios do estado é 497), até esta terça-feira (14) foram registrados 147 óbitos, 127 desaparecidos, 538 mil desalojados e 77 mil em abrigos. Diante desse cenário, o Governo Federal segue mobilizado com a realização de uma série de iniciativas em resposta à emergência, coordenadas por diferentes ministérios e órgãos governamentais:

O Ministério da Fazenda brasileiro anunciou uma medida extraordinária de suspensão da dívida do estado do Rio Grande do Sul com a União pelo período de três anos. Esta decisão visa direcionar os recursos anteriormente destinados ao pagamento da dívida para ações emergenciais no estado, frente à recente crise decorrente das enchentes e desastres naturais. Uma das medidas inclui a isenção de juros sobre o estoque da dívida durante o período de suspensão, o que representa uma renúncia de 12 bilhões de reais em juros. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou que essa renúncia de juros é fundamental para garantir que os recursos suspensos da dívida sejam integralmente direcionados para as ações emergenciais no Rio Grande do Sul.

Além disso, a assinatura da Medida Provisória (MP 1218/2024) pelo presidente Lula na semana passada já previa o direcionamento de 12 bilhões de reais adicionais em recursos para auxiliar o estado. Deste montante, 7 bilhões de reais serão destinados a subsidiar linhas de crédito, visando principalmente o apoio às famílias de todas as faixas de renda afetadas pelos desastres naturais.

O Ministério da Saúde já enviou um total de 25 toneladas de medicamentos e insumos para o Rio Grande do Sul. São cem kits de medicamentos e insumos com capacidade para atender até 1,5 mil pessoas durante um mês. Além de remédios, o conjunto inclui também luvas, seringas e ataduras. O objetivo é manter o estado abastecido durante a calamidade provocada pelas enchentes dos últimos dias. 

Além das medidas financeiras e de saúde, o Governo Federal também está adotando ações em outras áreas para enfrentar a crise. Por exemplo, o Conselho Monetário Nacional autorizou a renegociação de operações de crédito rural para os proprietários de empreendimentos rurais afetados pela emergência climática.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública está coordenando esforços para garantir a segurança e a logística necessárias para as operações de resgate e de assistência às vítimas nos municípios afetados. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) está atuando na desobstrução de rodovias e no transporte de mantimentos para as áreas mais afetadas pelas enchentes e desastres naturais.

A Secretaria de Relações Institucionais criou uma emenda de resgate emergencial de 1,3 bilhão de reais para os municípios mais afetados pelas enchentes e desastres naturais, visando fornecer apoio financeiro adicional para a reconstrução e recuperação das áreas atingidas.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está entregando cestas de alimentos para os municípios atingidos pelas enchentes. As primeiras entregas foram para Canoas, São Leopoldo, Montenegro e Eldorado do Sul. Inicialmente 52 mil cestas de alimentos foram adquiridas, e mais 45 mil estão sendo preparadas. A ação é desenvolvida pela Conab em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), que adquiriu os mantimentos para atender o estado.

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